Totalmente tomada pela maravilha que é ser transformada por um livro, escrevi o texto abaixo.

Desejo que o mundo leia esse livro: “O despertar de uma nova consciência”, de Eckhart Tolle.

Versão animada, aqui:

www.youtube.com/watch?v=_C_lskkNGZc

 

Presença, um papo reto com a vida

O que me inspira? A vida me inspira.

Ela se colocar assim, tão disponível pra mim.

Sempre lá… eu trabalho, passeio, fecho os olhos, durmo e acordo e ela lá.

Me remexo toda, mudo de ideia, de casa, de princípios e ela segue lá, disponível, presente mesmo… verdadeira, profunda que só ela!

As vezes me pergunto se tem equilibro essa troca. Ela me da tanto…

Tá sempre tão inteira pra mim…. e eu aqui, fazendo e desfazendo nós,

nos emaranhados fios da minha mente. E eu aqui, me ocupando dos variados ofícios da inconsciência cotidiana, como se algum deles pudesse ser a presença que eu não alcanço, dar pra mim a importância que a vida já tem, a miúdo, em tudo!

A vida me toca todos os dias…

Pela manhã, quando acordo ainda distraída das funções da personalidade, quase posso sentir o toque dela… leve, firme, sem ressalvas! Mas logo acorda a engrenagem daquilo que costumo chamar de “eu”, que por sinal veio sem manual. Então lá vou “eu”, a me identificar com reclamações múltiplas, progressivas e irreversíveis, como se alguma delas pudesse me colocar num lugar de inocência, ou de vitima. Não, não podem. As reclamações criam mundos, animam vidas e dilaceram corações, mas ainda não aprenderam a anular a lei que conecta cada semeadura a sua devida colheita.

Ah…. a vida! Já viram como ela se traduz no mar? Soberana, nem ouso tentar denominar. E como ela se expressa através de uma criança?! Quem resiste tamanho fascínio?

Ah vida, se eu pudesse te perceber verdadeiramente a cada presente… Esse seria meu presente pra você vida, quem sabe assim, não equilibrava um pouco essa troca?

Se eu pudesse oferecer a minha presença, faria da minha vida a sua morada, vida!

Ah, se eu pudesse te agradecer a altura…!

Bom, talvez se eu pudesse te perceber a cada presente e fazer da minha vida a anfitriã pra te receber, talvez assim eu estivesse te agradecendo a altura, não te parece?

Sim vida, eu quero muito, mas sabe, não tem muitas pistas do caminho e a maioria das pessoas tão indo em outra direção. Fora que as minhas sinapses de identificação com as desconfianças são tantas, que quando vejo, já to lá, desconfiando! Toda emaranhada com minhas duvidas intelectualmente interessantes, com minhas reclamações vestidas de indignação social, com minhas magoas cativas, essas são fieis escudeiras, isso não podemos negar, há quem as chamem também de parasitas chicletes, vai saber…

Pois é vida, eu quero do fundo do meu coração, mas sabe, eu cresci num lugar onde chamam o “fundo do coração” de mundo da ilusão, mundo dos sonhadores, dos hippies esotéricos, esses tais espiritualizados que estão tão na moda, que pegaram a mania de dizer por ai: “gratidão, irmão”. Eu, ein!

Olha, quando escuto essa frase, ouça na sequencia uma voz bem alta aqui dentro que diz: “Oi, não sou seu irmão, não. E pra ser bem honesta, além de achar brega, essa fala toda não me ganha não. Eu nem sinto esse agradecimento todo, me parece apenas um novo conteúdo numa velha forma cheia de falências e falcatruas.

Ué, mas espera um pouco. Se eu escuto essa voz dentro da minha cabeça, quer dizer que eu não sou essa voz? E então, quem sou eu? Sou quem escuta essa voz? Bem interessante isso, ein??

É… bom, meus pensamento são meio assim mesmo, todos cheios de caixinhas do que é brega ou não, do que é falência ou não, não acredita muito nesse papo de que somos todos irmãos…

É, meus pensamentos aqui dentro falam como se fossem reis, em pleno deleite do absolutismo! Mas se meus pensamentos são reis, quem são os súditos? Eu? Ual, que inversão! Eu sempre tive certeza de que aqui, dentro de mim, eu era rei!! Ao menos aqui! O poder do livre arbítrio, essa bandeira sempre carreguei achando muito bonito!

Ta bom, é verdade, os pensamentos não observados se tornam mesmo reis…. opa! Perai, e as emoções também? Deus do céu, ai complicou! Ser súdita das minhas emoções? To fora, elas são completamente loucas! Bom, mas a gente já achou um caminho, certo? Então, se eu percebo minhas emoções, de novo me torno quem as percebe, então não sou elas, certo? Ufa!! Alforria!!

Mas sabe, meus pensamentos e emoções são tão astutos, automáticos… eles me governam sem nenhum questionamento desde que me entendo por gente! Como eu vou fazer agora pra observar eles?

Ai vida, entendi, de novo a tal da presença, não é isso?

Bom, pra não ser súdita dessa insanidade eu topo qualquer coisa. Me comprometo a aprender as sinuosas curvas da mente, dos pensamentos, das emoções, do ego, pra então SER.

Presença, respiração, silêncio! Parece lindo…!

Mas olha só, a agenda ta bem cheia, os e-mails, a exponencialidade da internet então vai ser no meio do dia mesmo, pode ser? Durante as atividades…. enquanto uma emoção estiver lá atuando em mim a todo vapor, eu vou lá e “pá!”, observo ela! Que tal? Parece bom, ein?

Bom, se observo, não sou mais elas, e se não me identifico elas perdem o poder sobre mim…. ual! Que bom que estamos falando desse caminho vida. Porque nunca consegui acreditar naquele papo de controlar, ou de que um dia as emoções e pensamentos negativos simplesmente não iam mais aparecer.

Beleza, entendi, então no ato cotidiano eu fico presente, tipo agora né? OK. Eu respiro, eu sinto meu corpo, sem me identificar e então, plim! Me torno consciência observadora! Ual…. parece grandioso, vida, quem sabe até do teu tamanho, não é?

Ual, entendi! Isso é o que todo aquele pessoal chama de meditação, não é? Ufa, que bom! Porque confesso que aquele negocio de ficar sentado horas de coluna ereta em silêncio, pessoalmente me enrijece mais do que acalma.

Sabe vida, comecei aqui falando o quanto você é generosa, mas tenho que dizer, você é exigente pra burro!! Presença exige demais….acho que vou ter meditar muito sobre esse tema.

Ah, é…. verdade, meditar já é estar presente!!

É vida, eu sei, quem ganha com tudo isso sou eu, mais essa eu fico te devendo! Mmmm… cá entre nós, dever pra vida não soa lá coisa muito boa.

Já sei, te ofereço minha presença!! Assim, você pode viver através de mim! Ai fico presente, te recebo, te convido pra um chá lá em casa, a gente pode até dançar… Ual, dançar com a vida…. mal posso acreditar que você me deu mais isso vida ….opa, perai, acredito sim!

Não acreditar já eram as minha velhas sinapses de escassez atuando, né? Que bom que só de perceber elas já to interrompendo, e posso construir novas sinapses, as de acreditar! Se não já tava eu de novo me ocupando em desacreditar, enquanto a vida me espera pra dançar um cha-cha-cha!!!

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